Acordou subitamente tentando entender o sonho que acabara de ter. A terrível ressaca não permitia lembrar da janela aberta, já que não era hábito deixá-la assim à noite. Tateando no escuro encontrou os cigarros e, preferindo não acender o abajur, percebeu que o sol demoraria a aparecer. Após o terceiro cigarro foi buscar água e um analgésico para conter a dor de cabeça adquirida no quinto dia de bebedeira.
Outra fuga que se tornara a pior perseguição. Como esquecer dores, amores e frustrações senão com gargalhadas e lágrimas entre amigos em encontros regados a bastante álcool?
Queria parar. E antes mesmo que a luz invadisse totalmente o quarto tomou um banho frio, uma xícara de café bem forte e adoçado com a determinação de encarar a vida naquela manhã de segunda-feira.
Saiu de casa com a cabeça a mil, prometendo-se que antigas promessas finalmente estavam prestes a virar realidade. Seria diferente! Decidiu mudar de emprego, cuidar da saúde, não mais lamentar o passado e quem sabe, permitir-se apaixonar de uma maneira saudável.
Com um sorriso estampado, foi atravessando a rua quando uma kombi velha cruzou o sinal destruindo todos os seus sonhos.

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