quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Mania feia

Alfredo frequenta os melhores bares do Recife.Os badalados, pelo menos. Sempre com amigos, mas nunca os mesmos. Na quinta ou na sexta ele retira a agenda de telefones de sua maleta preta e,metodicamente, escolhe as vítimas da semana. Estas, vão para o fim da lista após o encontro e, só depois de várias semanas eles marcam novamente. Ele nunca sai de casa sem pensar nos possíveis assuntos das conversas.
Os amigos apreciam sua companhia e papo agradável, além de ser um ótimo parceiro nos encontros de copo cheio!
Lá para as tantas da noite, Alfredão, como costumam chamá-lo, depois de tanta conversa animada e divertida e talvez, por exclusiva culpa da maldita cachaça, começa a puxar uns assuntos difíceis de discutir. Política, religião e futebol são os mais clichês.
Como não consegue impor seu ponto de vista, Alfredo faz uma ceninha, dá um escândalo e vai embora aborrecido. Pobre bêbado!
Mais uma vez abandona o recinto abarrotado de gente, companheiros igualmente embriagados e uma conta pra pagar.
Alfredão é um cara que vive bem, não precisa disso. Seus amigos também estão sempre com grana e não se incomodam de rachar a conta sem o bêbado fujão. Só que todos começam a perceber essa mania feia e dois deles resolvem pregar-lhe uma peça.
Batata e Guga encontraram Alfredo numa tarde ensolarada de sábado, que pedia umas boas cervejas geladas. Como combinado, Guga teve que sair antes para resolver um problema pessoal. Eles continuaram lá conversando, bebendo e dando umas secadas nas meninas.
Quando Batata encontrou a oportunidade certa, brigou com o amigo alegando que eles estavam observando a mesma garota. Num rompante, pegou sua mochila e foi embora sem dar tempo do Alfredo dizer uma palavra.
Neste dia, ele que não precisa disso, mas que estava habituado a ser o primeiro a sair, foi pego desprivinido. Alfredo foi embora cabisbaixo, deixando no barzinho da moda sua carteira de identidade e a promessa de pagamento da dívida.
Nunca mais ele brigou com os amigos por causa da bebida....

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Etílicos

A confissão

Que é que eu posso fazer?
Sou humano.

Bebo uma vodca e me apaixono.


Boemia

toda noite durmo de dia

( Extraídos do livro Linha de Fogo- Lui Fontes)

Assim

Gosto de dormir sentada, ler deitada e comer de pé. Cada doido com a sua mania...
Me acostumei a trocar a ordem das coisas.
O problema é que grito pra pedir silêncio, sorrio de saudade e me calo de vontade.
E quando eu miro... miragem.



Oração da semana

Thank you God for this fine day
And bless all the children all over the world
Thank you for the plants and the animals
Oh bring me sweet dreams tonight
And help me be good tomorrow
Noah's ark came to my house one day
With all of his animals and took me away
Oh Noah's ark came to my house one day
With all of his animals and took me away
( Letra da Música Noah's Ark- Cocorosie)

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Caminhos

Gostaria de saber o que há em ti que não me deixa ir, nem voltar.

Videolaparoscopia na endometriose

Mais um exame pré-operatório. Mais um consultório de paredes em tom pastel e cadeiras cheias de mulheres aguardando "o chamado". Televisãozinha, volume baixo e aquela programação típica de uma quarta-feira à tarde.Tédio total... além de uma infinidade de Caras.
Nunca entendi porque as clínicas insistem em marcar a hora da sua consulta ou exame se vai te fazer esperar no mínimo uma hora para te atender! Tenho colecionado esperas como essa ultimamente.
Tudo pela minha saúde, mas até lá....muitos consultórios. Que posso fazer? É ter paciência para finalmente, apesar do medo, me internar no hospital para realizar a videolaparoscopia para tratar da minha endometriose. Complicações etimológicas à parte e boa sorte para mim!

Ahhhh

Essa eterna vontade de arrumar as malas...

A enchente

O quarto em que morava era minúsculo, escuro e sem muita circulação de ar, mas guardava uma vida ali dentro. Não se importava com a organização, limpeza e melhor aproveitamento do espaço. Não recebia pessoas. Apenas o gato da vizinha, que insistia em visitá-lo ao encontrar a porta aberta. Odiava gatos. Odiava também as pessoas.
Era o retrato mais triste da solidão, em branco e preto. Aquele homem passava dias e dias sem se comunicar com ninguém. No máximo ia à biblioteca e ao mercado. Vivia de uma pensão e aguardava calmamente a visita da morte.
Num domingo de 75, a grande enchente inundou seu quartinho escuro e levou encharcados alguns de seus pertences e recordações, além de um pedaço da parede. Assistia a tudo imóvel, desejoso de ser arrastado junto. Água quase na cintura. A vizinha, dona do gato, conseguiu levá-lo ao seu apartamento no primeiro andar.
Após dois dias de silêncio, agasalhos e canjas quentes ele sentiu-se obrigado a balbuciar um agradecimento qualquer. Ela sorriu gentilmente. Rompendo suas amarras ele beijou-a furiosamente.Parace que a correnteza levou embora sua infinita solidão.

Chileno, tinto e seco

Se queres minha sincera opinião, sirva-me umas duas garrafas de vinho e te direi então!

Segunda-feira


Acordou subitamente tentando entender o sonho que acabara de ter. A terrível ressaca não permitia lembrar da janela aberta, já que não era hábito deixá-la assim à noite. Tateando no escuro encontrou os cigarros e, preferindo não acender o abajur, percebeu que o sol demoraria a aparecer. Após o terceiro cigarro foi buscar água e um analgésico para conter a dor de cabeça adquirida no quinto dia de bebedeira.
Outra fuga que se tornara a pior perseguição. Como esquecer dores, amores e frustrações senão com gargalhadas e lágrimas entre amigos em encontros regados a bastante álcool?
Queria parar. E antes mesmo que a luz invadisse totalmente o quarto tomou um banho frio, uma xícara de café bem forte e adoçado com a determinação de encarar a vida naquela manhã de segunda-feira.
Saiu de casa com a cabeça a mil, prometendo-se que antigas promessas finalmente estavam prestes a virar realidade. Seria diferente! Decidiu mudar de emprego, cuidar da saúde, não mais lamentar o passado e quem sabe, permitir-se apaixonar de uma maneira saudável.
Com um sorriso estampado, foi atravessando a rua quando uma kombi velha cruzou o sinal destruindo todos os seus sonhos.
Hoje eu senti um cheiro de morte. Era de suco de maracujá!

fev.08